Saúde da mulher: cuidados mesmo na pandemia

  • 13 de janeiro de 2021
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Bem sabemos que a pandemia em curso atrapalhou um pouco a programação das pessoas para os cuidados com a saúde. Entretanto, a restrição de alguns serviços de diagnóstico por parte das autoridades não deve impedir o acesso às consultas e exames de rotina.

A falta de informação sobre a importância do autocuidado ainda é um desafio a ser superado. A oportunidade de um ato médico prevenir e promover saúde dependem também da autorresponsabilidade da paciente.

Para as mulheres, a consulta com o ginecologista não deve ser agendada apenas quando se apresenta sintomas. “Um diferencial do nosso trabalho é periodicamente investigar sinais de doenças em fases silenciosas ou pouco sintomáticas, e uma vez detectadas, poder serem tratadas com maior chance de cura e sucesso terapêutico”, destaca a médica Marcella Marinho, especialista em ginecologia e obstetrícia. Ela ressalta que, apesar do recurso da telemedicina ter funcionado bem para as especialidades médicas clínicas, na ginecologia não foi possível manter um atendimento de excelência, pela óbvia impossibilidade de realizar o exame físico das pacientes.

 

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Adaptações na pandemia

Na clínica da profissional, foram promovidas adaptações para receber as pacientes com segurança, mantendo o mesmo conforto como o ajuste dos horários de marcação mais esparsados, álcool em gel em todos os ambientes, higienização da sala seguindo os protocolos de segurança entre os atendimentos, entre outros cuidados.

Segundo a ginecologista, as mulheres usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), também precisam manter o calendário de consultas e exames sempre em dia. “Exame não previne doença, mas a oportunidade de um diagnóstico precoce salva vidas”, salienta. No sistema público, o atendimento realizado por especialistas precisa ser encaminhado pela Unidade Básica de Saúde (UBS), e a depender da região, esse número costuma ser limitado, gerando espera e algumas barreiras.

A médica ainda ressalta que a maioria dos exames periódicos tem o intervalo de um ano, justamente para aumentar as chances de detectar alterações precursoras de neoplasias ou câncer em estágio inicial. “São exemplos desses exames o Papanicolau, a mamografia e o ultrassom transvaginal”, aponta. Outros exames como histeroscopia, colposcopia, ressonância nuclear magnética, marcadores tumorais, pesquisa do DNA-HPV podem fazer parte desse acompanhamento a depender do risco e da avaliação individual de cada mulher realizada pelo especialista.

 

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Dra. Marcella cita como exemplo de diagnóstico precoce o caso da apresentadora Fátima Bernardes. Segundo a ginecologista, o câncer de endométrio, ao qual a jornalista foi acometida, costuma apresentar poucos sintomas na fase inicial. “O principal deles é o sangramento vaginal após a menopausa, com ou sem dor e corrimento vaginal”, explica.

O exame inicial para investigação desse tipo de tumor é o ultrassom transvaginal, que já faz parte da rotina. Dra. Marcella presume que a avaliação médica direcionou a apresentadora aos exames subsequentes: a histeroscopia, na qual é observada a camada interna do útero com uma câmera, a curetagem uterina e a biópsia dessa camada, chamada endométrio.

Mulher de fases

Dra. Marcella Marinho ainda destaca que em cada fase da vida da mulher o foco do cuidado com a saúde muda. Na adolescência, o foco é a orientação, os cuidados pessoais, esclarecer dúvidas sobre o ciclo menstrual, sexualidade e contracepção. Além do exame físico completo, o médico pode solicitar exames complementares, como ultrassom, coleta de secreção vaginal e dosagens hormonais. “Considero muito importante passar em consulta ginecológica em dois momentos: quando iniciar os ciclos menstruais e ao iniciar sua vida sexual. São consultas de extrema importância, pois trata-se de oportunidade para oferecer informação de qualidade, desmistificar seus medos e fazer com que as jovens se sintam seguras a tirar suas dúvidas sem julgamentos ou vergonha, de modo a prepará-las à maneira correta de como se cuidar e se proteger”, esclarece Dra. Marcella.

A ginecologista adverte para queixas e sinais de alerta que devem fazer uma jovem a procurar o ginecologista, como cólicas ou dores pélvicas, corrimentos, lesões na genitália, nódulos ou dor nas mamas, além de irregularidades do ciclo menstrual.

 

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Na fase dos 25 aos 45 anos, são realizados os exames periódicos e tratadas as queixas específicas. “Nessa fase é muito comum realizar consultas para eleger métodos contraceptivos, tratar as patologias mais comuns, como tensão pré-menstrual, miomatose uterina, dor pélvica, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, cirurgias para estética íntima que estão ficando cada vez mais solicitadas, além das consultas pré-concepcionais e durante o acompanhamento do pré-natal”, enumera Dra. Marcella.

Os exames periódicos fundamentais são o exame físico completo, inclusive das mamas, a coleta do Papanicolau e a ultrassonografia pélvica. Os demais exames, inclusive o ultrassom de mamas e exames de sangue, serão elegíveis pelo médico especialista individualmente para cada paciente conforme a queixa, fatores de risco e se houver alguma suspeita clínica.

Segundo a ginecologista, a perimenopausa e a menopausa são fases da vida em que os riscos de câncer aumentam. Nesse período também ocorrem os declínios hormonais que causam muitos sintomas como ondas de calor, sudorese, secura vaginal, libido diminuída, incontinência urinária, irritabilidade e até ganho de peso. Portanto, a realização de exames como a mamografia, por exemplo, torna-se imprescindível, além do foco em melhorar a qualidade de vida tratando os sintomas climatéricos.