Nicette Bruno: força e fé

  • 13 de outubro de 2015
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Letícia Zuppi

Nicette Bruno poderia ter seu nome traduzido em “simpatia”. A atriz, que acaba de completar 82 anos, está mais ativa e admirável do que nunca.

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Grande conhecida do público por atuar em novelas desde a TV Excelsior e TV Tupi, a atriz participou de folhetins de sucesso como A Muralha, O Meu Pé de Laranja Lima, Sétimo Sentido, Louco Amor, Selva de Pedra, Bebê a Bordo, Rainha da Sucata, Mulheres de Areia, A Próxima Vítima, Sete Pecados, Ti Ti Ti, Salve Jorge e Jóia Rara. No seriado Sítio do Picapau Amarelo viveu a querida personagem Dona Benta, de 2001 a 2004.

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O encontro com o também ator Paulo Goulart – falecido em 2014, com quem formou um dos casais mais queridos da televisão brasileira – aconteceu em 1952, quando ambos participavam da peça Senhorita Minha Mãe. Em 1954 casaram-se no palco do teatro e são pais de Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho.

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Nicette conta que sua carreira sempre caminhou entrelaçada com a sua vida pessoal, de forma que sua trajetória artística no palco, confunde-se com momentos especiais de sua vida. “No teatro estreei com 14 anos no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. No palco me casei, vi o crescimento dos meus filhos e o início de suas carreiras”, lembra.

Após a morte de Paulo Goulart, Nicette Bruno decidiu homenagear o marido com o espetáculo Perdas e Ganhos, de Lya Luft, adaptado e dirigido por Beth Goulart. Para Nicette, o monólogo é uma forma de seguir e repensar esta nova fase de sua vida, sem Paulo. “No começo foi muito difícil, depois me ajudou muito, como um fortalecimento. Me trouxe coragem, força e reflexão”, conta.

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A longa trajetória de carreira e nos palcos não faz com que Nicette deixe de lado seus estudos para levar ao público sempre um ótimo resultado em seu trabalho. Para encenar um monólogo, a atriz exercita-se e toma alguns cuidados. “Antes de entrar em cena, faço preparação vocal e física para não me cansar e para tudo fluir de forma mais harmônica”, conta.

 

Nicette dedica-se a rever o texto do espetáculo todas a vezes antes de entrar no palco. “Todos os dias repasso o texto e penso sobre ele”, conta. Como em qualquer peça de teatro, o “branco” – momento em que o ator esquece-se de suas falas – pode acontecer e Nicette já está também preparada para isso. Com seu bom entendimento e domínio do texto, consegue fazer uma rápida substituição de palavras. “Me beneficio dos meus 67 anos de carreira. Durante a peça é preciso muito concentração. Se esqueço alguma frase do texto, coloco rapidamente um sinônimo no lugar”, conta.

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A reação do público também pode desconcentrar o ator durante um espetáculo. Principalmente em uma estreia de peça com importante significado para o artista. “Quando estreei Perdas e Ganhos, assim que entrei no palco fui muito aplaudida. Eu não esperava aquela reação da plateia e disse ‘obrigada’. Com isso me desconcentrei totalmente do texto”, revela Nicette.

Tal reação do público foi motivada como uma homenagem a Nicette, por sua força diante da perda de Paulo Goulart e pela decisão de homenageá-lo com a montagem. E as qualidades do marido inspiram Nicette a continuar. “Paulo era positivo, alegre e bem-humorado”, lembra.

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Em uma nova fase de vida, Nicette Bruno revela que soube aceitar o destino com sabedoria. “Existem muitas perdas na vida, o importante é encarar com aprendizado”. E completa: “Não perco a esperança de novos momentos e novas realizações. Tenho muita fé e oro muito. Vou continuar a minha trajetória até o nosso reencontro”, finaliza.

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Fotos: Em Destaque Na Cidade