Construções antigas e as mudanças climáticas de SP

  • 26 de novembro de 2020
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Os paulistanos mais antigos e até mesmo os turistas que chegavam a São Paulo nas décadas de 40 a 60, sabiam que o município era conhecido como a “Terra da Garoa”. Com essa característica, engenheiros e arquitetos projetavam suas obras contando com chuvas constantes, mas em sua grande parte de moderadas a leves.

Fundado em 14 de março de 1875 sob o nome de “Club de Corridas Paulistano”, ainda no bairro da Mooca, o Jockey Club de São Paulo se mudou para o Hipódromo Cidade Jardim em 1941, onde hoje ocupa uma área de 600 mil m² às margens do Rio Pinheiros, na cidade de São Paulo. O clube é aberto ao público e oferece atrações como corridas de cavalo, eventos, restaurantes, bares e áreas de caminhada.

Seu projeto arquitetônico foi feito pelo brasileiro Elisário Bahiana, sendo mais tarde alterado pelo arquiteto francês Henri Sajous. Ao iniciar o processo de restauro do Jockey, os engenheiros responsáveis pela obra descobriram que o teto e o forro dos prédios tinham todo seu madeiramento apodrecido por conta do acúmulo de água em sua estrutura. “Isso ocorreu porque quando o Jockey Club foi projetado as tubulações e estruturas de escoamento foram dimensionados para um volume muito menor de águas”, explica Wolney Unes, diretor da Elysium Sociedade Cultural, organização social responsável pelas obras no Jockey. “Hoje em dia não temos mais tanta garoa e chuvas leves, mas sim grandes massas de água que desabam de uma só vez em um curto período sobre a cidade.”

Segundo Unes, este problema pode estar se repetindo em muitas outras edificações de valor histórico para a cidade. “Assim como o Jockey Club de São Paulo, que é tombado por ser um dos maiores complexos art déco do mundo, outros edifícios podem estar na mesma situação, sem que os responsáveis se deem conta”, avisa ele. “Contratamos um estudo pluviométrico que apontou essa discrepância”, indica Unes.

“Todo projeto dos edifícios é anterior à edição da Norma Brasileira NBR 10844, de 1.989, assim como de sua antecessora a NB611, de 1.981”, diz o engenheiro civil Gerson Arantes, responsável pelo laudo. “As calhas e os tubos de queda de águas pluviais atendiam à intensidade pluviométrica máxima vigente à época”, diz ele. “Hoje em dia a água acaba represada, danificando as estruturas”, garante.

Com isso, a obra de restauro do Jockey Club de São Paulo seguiu as determinações dos órgãos responsáveis pelo patrimônio para refazer toda a cobertura dentro dos novos padrões, mas sem descaracterizar a preservação de sua originalidade.

E a tal “Terra da Garoa”? Agora fica somente na lembrança…