Espetáculo No Exit – Entre quatro paredes – é apresentado no Teatro Liceu

  • 6 de agosto de 2013
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Conhecido em todo mundo pela frase “o inferno são os outros”, o texto de Jean Paul Sartre Huis Clos, de 1944, ganhou nova versão teatral. Com direção de Caco Ciocler, No Exit – Entre quatro paredes, tem apresentações nos dias 16, 17 e 18 de agosto no Teatro Liceu, em Campinas.

A montagem – com os atores Chris Couto, Sabrina Greve, José Geraldo Junior e Ando Camargo – é uma parceria do diretor e ator com a Gelatina Cultural, do produtor Ricardo Grasson e com a produtora Maria Betânia Oliveira.

O espetáculo conta a história de três indivíduos que são condenados a conviver juntos no inferno: Garcin (José Geraldo Junior) é um homem letrado, com pretensões heroicas, mas covarde.

Seu maior tormento é ter desvendada sua condição de covardia, que não pode ser mudada. Estelle (Sabrina Greve) é uma fútil burguesa que ascendeu socialmente através do casamento, mas em nome de seu conforto, assassinou o próprio filho. Tenta redimir-se atribuindo sua culpa ao destino.

Inês (Chris Couto) é uma funcionária dos correios. Seduziu a mulher de um amigo provocando um verdadeiro desastre na vida dos três, mas admite suas culpas sem delegar responsabilidades. Ela acha que compreende os motivos de estar no inferno, pois se julga sádica e acredita que o ódio a alimenta. Um quarto personagem, o Criado (Ando Camargo) é o funcionário do inferno responsável por trazer cada um dos indivíduos à sala.

 
 

Busca da identidade
 
 
Terceira incursão de Caco Ciocler na direção, a montagem vem sendo constantemente revisitada e montada mundo afora. Para o diretor, a peça revela, a cada ensaio, questões cada vez mais atuais. “Sartre colocou esses personagens juntos no inferno não apenas para pagarem por seus crimes e enxergarem-se através do olhar do ‘outro’. Num nível mais profundo, foi para descobrirem que a ausência do ‘outro’ como espelho, como retorno de nossas próprias afirmações, é que é o verdadeiro inferno. E é nesse contexto que a ação da peça acontece”, diz.

Sem a necessidade de se alimentar e sem a possibilidade de dormir, por toda a eternidade, esses estranhos estão confinados em um ambiente sem espelhos, apenas com poltronas e objetos aparentemente inúteis. Perplexos com um inferno sem castigos físicos e com ares de um salão clássico, vão descobrir que estão condenados a penas muito mais terríveis do que sequer poderiam imaginar.

“Sem um ‘outro’, que devolva para cada um deles suas imagens e a crença em suas identidades, eles correm numa tentativa desesperada de aplacar suas angústias, nem que para isso tenham que reproduzir ali, no inferno, e para toda a eternidade seus algozes imaginários”, explica Caco.

É melhor um carrasco do que a angústia do vazio, onde o Eu não exista, onde o Eu não seja reconhecido! Quem vai conseguir sair desse inferno?

 
 

Cenário reciclável

 
 

Escrita por Sartre para uma amiga durante a Segunda Guerra Mundial, período de muitas dificuldades na Europa, a peça necessitava de um elenco enxuto e exigia restrições nos gastos e praticidade com o cenário. Respeitando a montagem original, o diretor Caco Ciocler optou por um resgate do trabalho de ator, que ganha o foco principal.
O cenário, composto apenas por elementos cênicos, dialoga com a atual necessidade de soluções sustentáveis, já que é todo feito de material reciclável. São três poltronas, dois pequenos apoios e três pilastras todas feitas de papelão pela empresa 100’t.

Os figurinos trazem memórias de três épocas distintas, mas não possuem uma identidade temporal especifica. Já a iluminação contará com um grande grid retangular com vários refletores, que são utilizados de forma alternada e rotatória sugerindo a passagem do tempo.

A peça acontece na sexta e sábado, às 21h e no domingo, às 19h.

 
 
Imagem: Divulgação