Infância: como criar filhos autônomos e bem-sucedidos

  • 13 de março de 2021
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É na convivência do dia a dia que os laços afetivos entre pais e filhos são criados e fortalecidos e essa conexão é fundamental para a criança crescer saudável e feliz. Um estudo realizado na Universidade de Michigan mostrou que crianças com pais participativos demonstram mais autocontrole e habilidade de cooperação. A pesquisa, que analisou dados de 730 famílias norte-americanas, aponta que a qualidade da relação entre pais e filhos tem muita influência no desenvolvimento da criança. Essa ligação duradoura e profunda só se conquista com a presença ativa na rotina.

De acordo com o comunicador, palestrante e autor do livro O papai é pop, Marcos Piangers, a dificuldade de grande parte das famílias atuais está em conciliar a correria e as atividades profissionais da vida moderna com a necessidade de estar mais presente junto aos filhos. Uma pesquisa realizada no site do próprio escritor, com mais de 2.500 famílias, mostra que, para 70% dos pais, a principal angústia é justamente não ter tempo suficiente para dedicar aos filhos. “Não se constrói uma família por caminhos fáceis. Muitas vezes, é também por meio dos erros que aprendemos e, se queremos falar em transformar a forma como as famílias estão criando os filhos, é preciso destacar a importância da figura paterna dentro da família”, afirma Piangers.

Para ele, um pai presente que se enxerga como cuidador e age, de fato, no sentido de cuidar, pode mudar o rumo de uma família, fazendo o filho crescer com mais apoio e estrutura. Em tempos de home office, Piangers faz questão de destacar: “as crianças não são aquelas que interrompem o trabalho importante, elas são o trabalho mais importante que um pai ou mãe podem realizar”, diz. O escritor alerta ainda para a questão quantidade de tempo versus tempo de qualidade. Por conta da agenda corrida e da rotina atarefada, muitos pais declaram que dedicam menos tempo aos filhos, mas que esse tempo é de qualidade, sem celular, telas ou interrupções. Para Piangers, é importante conhecer bem os filhos, desenvolver com eles alguma intimidade e, para isso, não adianta só o tempo de qualidade. “Ter só uns minutinhos no dia ou na semana não vai fazer você conhecer bem o seu filho. Precisamos de uma quantidade de tempo razoável com eles e de forma realmente atenta enquanto estamos juntos. Com atenção mútua total, sincronia não verbal e sensação de bem-estar, e isso pode ser obtido quando brincamos com eles, conversamos ou fazemos uma refeição tranquila e sem pressa”, explica.

 

Divulgação

 

O escritor lista ainda os efeitos que o desempenho dos pais na criação dos filhos pode promover. “Pais omissos produzem crianças, jovens e adultos carentes. Pais permissivos, indivíduos que não respeitam regras nem o senso de coletividade. Pais presentes criam filhos autônomos, bem-sucedidos, com autoestima elevada, bom desempenho escolar e uma visão otimista da vida”, acrescenta. E isso será fundamental para o futuro da criança ou jovem.

Sabe-se que a sociedade e o mercado de trabalho valorizam cada vez mais as chamadas soft skills, habilidades comportamentais que podem diferenciar um profissional de outro. “Pesquisas da PricewaterhouseCoopers, do Fórum Econômico Mundial e outras tantas, apontam que as habilidades mais valorizadas e demandadas atualmente são inteligência emocional, criatividade, resiliência e capacidade de autogestão. As escolas já enxergam isso e vêm trabalhando como nunca o desenvolvimento das habilidades socioemocionais junto aos alunos, mas esse trabalho só será bem feito se for complementado pela família, com uma criação atenta e sempre presente na vida dos filhos”, reforça Piangers.

Para o diretor geral do Colégio Positivo, Celso Hartmann, as habilidades socioemocionais são a base do desenvolvimento de um indivíduo e sem elas todo o restante fica comprometido. “Um trabalho bem realizado para desenvolver a inteligência emocional, a resiliência, a autonomia, a empatia e a capacidade de trabalho em equipe só é possível quando há o envolvimento das duas instâncias: escola e família”, conclui.