Exposição sobre propagandas americanas de cigarro chega a Campinas

  • 7 de agosto de 2012
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Até 06 de setembro, Campinas recebe a exposição “Propagandas de Cigarro – Como a Indústria do Fumo Enganou as Pessoas”.

A mostra apresenta 90 peças de campanhas publicitárias veiculadas nos Estados Unidos entre as décadas de 20 e 50 e foi trazida para o Brasil pela agência de publicidade nova/sb. A agência é a responsável por duas campanhas internacionais do Dia Mundial Sem Tabaco da OMS (Organização Mundial de Saúde). A mostra, gratuita, é exibida na Universidade Presbiteriana Mackenzie – Campus Campinas, no Jardim Guanabara.

 A cada ano, a indústria do tabaco aprimora as táticas de convencimento para conseguir novos fumantes, uma vez que a propaganda é proibida em diversos países, como o Brasil, e muitas cidades como São Paulo, Londres, Nova Iorque e Paris aumentaram a restrição ao fumo. Mas a realidade atual é um paradoxo se comparada às estratégias utilizadas pela indústria do tabaco em suas peças publicitárias veiculadas entre as décadas de 20 e 50. Eram usadas celebridades, médicos, crianças e até Papai Noel em suas campanhas. Para refletir sobre as táticas dessa indústria, a agência de publicidade nova/sb trouxe com exclusividade a mostra para o Brasil. 

 A exposição, concebida pelos médicos Robert K. Jackler e Robert N. Proctor, professores da Universidade de Stanford (EUA), foi exibida em vários estados americanos e faz parte do imenso acervo do Smithsonian Institution – complexo de museus americanos. 
 A mostra traz peças que parecem ser uma brincadeira de tão absurdas. “Garganta Sensível? Fume Kool”, “Médicos fumam Camel mais do que qualquer outro cigarro” e “20.679 médicos dizem que Lucky Strike não irrita a garganta” são alguns dos exemplos estampados nas peças publicitárias da época. 
 Há também peças com artistas fazendo propaganda para marcas de cigarro, como Frank Sinatra, John Wayne, Ronald Regan, Lucille Ball e Marlene Dietrich. Entre as mais excêntricas, Papai Noel distribui pacotes de cigarro e um bebê dá um conselho para a mãe reforçando a marca de cigarros. “O público fica surpreso e chega a rir com o uso absurdo de imagens de bebês, Papai Noel e médicos. Entretanto, as pessoas acabam indignadas com as mentiras desses anúncios, que afirmavam que cigarro é bom para a garganta e para asma, por exemplo”, comenta o sócio-diretor da nova/sb, Bob Vieira da Costa. 

 Um dos anúncios apresentados mostra uma jovem enfermeira de guerra acendendo o tabaco no cachimbo de um soldado ferido. No rodapé, o texto pede uma doação para a compra de fumo aos militares. Atrizes foram escaladas para distribuir cigarros nas trincheiras. Em outra peça, uma mulher esguia e denotando segurança, vestida de terno laranja acetinado, diz em propaganda da Virgínia Slims: “Você chegou longe, baby”. Atrás da jovem, um frasco cheio de moedas e notas de dólares e uma frase afirmando que, na década de 50, aquela era a “conta bancária” das mulheres.

 “A Proteção para a sua garganta contra irritação e tosse” (Lucky Strike), “Cigares de Joy – a cura da asma (pode seguramente ser fumado por mulheres e crianças – Joy´s Cigarettes); “19.293 dentistas recomendam: Fume Viceroy! Nunca mancharão seus dentes!”, Sabor luxuoso” (Vogue); “Dê férias para a sua garganta, fume um cigarro refrescante” (Camel), Essas são algumas das mensagens que estarão nas peças mostradas na exposição. “Eles foram ‘geniais’ para atingir seu objetivo maléfico”, comenta o Dr.Jackler, referindo-se à indústria do tabaco. O médico iniciou a compilação das peças quando a mãe morreu devido a um câncer de pulmão, após fumar por toda a vida. 

A exposição acontece de segunda à sexta-feira, entre 8h e 22h. O endereço é Avenida Brasil, 1220 – Jardim Guanabara.

Imagens: Divulgação