“A Descida do Monte Morgan” acontece em Paulínia com entrada franca

  • 1 de março de 2013
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Acontece no Teatro Municipal de Paulínia nos dias 02 e 03/03 com entrada gratuita, o espetáculo “A Descida do Monte Morgan”. 

Com elenco composto por Ary França (Lyman Felt), Lavínia Pannunzio (Theodora Felt), Lú Brites (Leah Felt), Fábio Nassar (Pai e Tom Wilson), Jú Colombo (Enfermeira Logan) e Paula Ravache (Bessie), a peça tem direção direção geral de Luiz Villaça.
Com “A Descida do Monte Morgan”, o dramaturgo Arthur Miller nos lembra que vivemos em relação aos nossos princípios (os que sentimos e os que pensamos), os quais devemos adequar para viver medianamente em harmonia com as demais pessoas, em sociedade. Às vezes, os valores individuais são anti-valores sociais e, outras vezes, os valores de uma sociedade são considerados díspares aos nossos valores pessoais.
Miller já tinha 76 anos quando escreveu o texto (estreou em 1991, mas permanece inédito no Brasil), e o resultado parece afirmar um individualismo ao extremo, ao ponto de não perceber os efeitos colaterais que esse tipo de comportamento causa, questionando a responsabilidade social de cada homem.
O autor nos apresenta Lyman Felt, um homem de sucesso, bígamo, filho de judeus e albaneses, que conseguiu fundar sua própria empresa de seguros e tornar-se um dos homens mais respeitados dos Estados Unidos. Fiel a seus sentimentos única e exclusivamente, Lyman envolve suas 2 mulheres numa vida de mentiras.
Miller abre a peça com Lyman num leito de hospital – ele acabou de sofrer um trágico acidente na estrada do Monte Morgan – todo quebrado, sonhando que está dando uma palestra a corretores. Desde já, lança a ironia e provoca um jogo cênico, no qual tudo que o espectador verá pode ser realidade ou apenas produto da consciência culpada de Lyman.
O texto passa por passado, presente e delírio sem iniciar ou finalizar cada cena. As personagens transitam por estados, emoções e tempos de uma réplica a outra, resultando num jogo ágil e teatral por excelência. Apesar de toda mentira e isenção de culpa que Lyman sente, ele é um homem encantador e acredita profundamente que viveu e permitiu que essas mulheres tenham vivido os melhores anos de suas vidas quando ambas foram casadas com ele. Quando essas mulheres descobrem a verdade no hospital, é que um grande dilema existencial surge em suas vidas: como continuar vivendo uma vida que não era de verdade e o que/como estão dispostas a viver agora?
Com muito humor, Miller tece esse emaranhado de sentimentos e relações que misturam diversos conceitos e preconceitos sociais, sentimentos díspares e ambíguos, fazendo com que, como as personagens, o público também se questione: consigo ser fiel ao que sinto e penso sem magoar os outros ou soar como mero arrogante egoísta?
Não há uma resposta certa quanto à opção mais justa ou correta a ser tomada, pois cada vida em particular e cada decisão de fidelidade a si mesmo ou aos outros tem que levar em conta as circunstâncias em que se apresentam os fatos.
Esta é a segunda direção teatral do cineasta Luiz Villaça (estreou com “Sem Pensar” em 2011, eleito Melhor Espetáculo de Comédia pelo voto popular), tem cenários e figurinos de Márcio Medina, luz de Wagner Freire e trilha sonora original de Fernanda Maia.
O espetáculo acontece no sábado, às 20hs e no domingo, às 19h. A entrada é um 1 kg de alimento não perecível. O ingresso deve ser trocado no dia do espetáculo a partir de 2 horas antes do início de cada sessão. Sujeito à lotação do teatro.

Fotos: João Caldas e Willy Biondani