A atriz Júlia Lemmertz participou, nesta quinta-feira, 24/05, de uma entrevista coletiva sobre a sua peça, “Deus da Carnificina”, em Campinas. 

                                                                                         Letícia Zuppi

Júlia Lemmertz estrela o espetáculo “Deus da Carnificina” ao lado dos atores Deborah Evelyn, Orã Figueiredo e Paulo Betti, nesta sexta e sábado (25 e 26/05), no Theatro Municipal de Paulínia.
A peça – que rendeu a Júlia o Prêmio APTR de Teatro na categoria de Melhor Atriz Protagonista e o Prêmio Quem na categoria Melhor Atriz de Teatro – fala sobre dois casais adultos e civilizados que se encontram para resolver o fato de um de seus filhos ter quebrado dois dentes do outro, em uma briga na praça. O que aparentemente seria simples, toma outro rumo e a civilidade dá lugar a um campo de batalha.
Júlia elogiou o texto da peça, de Yasmina Reza. “A autora fez um texto enxuto, que comunica a vários públicos. Trata-se de uma comédia crítica, de fácil identificação. É um prato cheio para o ator. Cada personagem começa de um jeito e termina de outro”, contou.
A atriz falou um pouco sobre a sua personagem, mãe de um menino de 11 anos. “Minha personagem é uma mulher que não conhece bem o seu filho. Ela não entende o comportamento dele. A personagem é insegura, aflita e não sabe o que fazer diante daquela situação”, disse.
Segundo Júlia, o espetáculo leva o público a pensar sobre a educação que os pais dão a seus filhos. “A peça leva os pais a pensarem sobre como seu filho trata as pessoas, que exemplo eles estão dando para os filhos. Como serão estas crianças quando forem adultas? Sabemos que a maior responsabilidade do ser humano é criar e educar uma pessoa”, explicou.
Ao falar sobre os casais que se reunem para discutir um ato de violência entre seus filhos, o espetáculo passa uma mensagem atual sobre como este viés está presente na sociedade. “A peça discute a violência, a intolerância. Na verdade, somos selvagens lá no fundo. O que nos move é a ira. Isso é da natureza do ser humano. Crianças desde muito pequenas disputam brinquedos com outras e, para consegui-los, as mordem. É aí que entra um adulto explicando o que pode ou não pode ser feito”, disse Júlia.
A atriz contou sobre a experiência de estar em temporada há mais de um ano com a peça – que já passou pelo Rio de Janeiro e São Paulo – sem deixar que o espetáculo perca sua essência teatral. “Temos que manter na peça o frescor que lhe é necessário. Não se pode acomodar na comédia. Nosso diretor – Emílio de Mello – está sempre fazendo observações para que não deixemos passar nenhum detalhe neste sentido”, contou.
Segundo Júlia, estar no teatro a realiza plenamente e a auxilia em sua profissão, em suas diversas formas de atuação. “Estando no teatro, fico melhor também na TV ou no cinema. Sinto-me mais inteira, mais disponível, sinto-me mais no meu eixo. É como uma pessoa que está sempre fazendo atividade física. A rotina de exercícios a deixa sempre pronta. O teatro funciona assim para mim”, concluiu.
“Deus da Carnificina” pode ser assistida nesta sexta e sábado, às 21hs. O Theatro Municipal de Paulínia localiza-se à Av. José Lozano Araújo, 1551 – Pq Brasil 500. Informações: (19) 3933-2140

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Fotos: Letícia Zuppi

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